É com muita satisfação que a 4ª edição do jornal O Manifesto já está em circulação pela nossa cidade.
Nessa edição tivemos a participação na coluna do Manifesto Feminino, da nossa colega de faculdade Iracy Garbim de Souza, graduada em História pela UEG - Cidade de Goiás. Uma entre tantas outras mulheres que lutam pela sua carreira profissonal e se tornan um grande exemplo de determinação. Quem ainda não teve a oportunidade de confirir nosso jornal impresso, poderá ler esse texto por aqui!
EJA, a um passo para o superior
O
conhecimento tem presença garantida em qualquer projeção que se faça do futuro.
Por isso há um consenso de que o desenvolvimento de um país está condicionado à
qualidade de sua educação. (GADOTTI, 2000).
Ao ser convidada pelo colega de
universidade para redigir um texto sobre a minha vida estudantil em especial
sobre a conclusão da EJA, (Educação de Jovens e Adultos) fiquei muito feliz em
poder transmitir minha experiência, para os alunos que atualmente estão
concluindo este período da vida, e ao mesmo tempo poder compartilhar minhas vitórias que recentemente. foram
alcançadas na universidade com o trabalho de conclusão do curso o TCC. Neste
obtive a nota máxima e com indicação
para mestrado, sendo parabenizada pelo então prefeito da cidade que pesquisei
em meu trabalho.
Fiquei vinte e dois anos sem estudar e um dia
resolvi voltar. Procurei o EJA para de imediato ganhar tempo pelo fato de estar
por anos fora da sala de aula. Logo veio á pergunta: Será que esse ensino é
bom? E o conteúdo? O aluno realmente aprende alguma coisa? Mas, eu enquanto
aluna estava realmente interessada em adquirir o conhecimento que é oferecido. Vi que o EJA é um supletivo que exige do
aluno da mesma forma que outros ensinos regulares exigem, a diferença é que o
ensino se volta para jovens e adultos, pessoas que passaram um tempo fora da
escola, que trabalham o dia inteiro e não dispõe de tempo para estudar, o que não
afeta as suas responsabilidades e interesses enquanto alunos.
Ficar fora
da escola tanto tempo é de repente voltar é um ato de coragem, digo coragem por
que estamos muito acomodados depois de anos sem estudar, somos os primeiros a
colocar obstáculos em nossos caminhos. Então fiz a minha matrícula em um colégio
da cidade que oferecia os seriados nos dois níveis, Ensino Fundamental e Ensino
Médio da EJA no ano de 2006. Foram dois anos de estudos, divididos em quatro períodos
simplificados. E mesmo ficando tanto tempo sem estudar, sempre alimentei o
desejo em concluir o ensino superior, o que antes era quase impossível devido às
condições financeiras e pela falta de Políticas Educacionais que incentivassem
as condições de alcance para o Ensino Superior, diferente de hoje que existem
variadas opções onde o aluno pode escolher.
No entanto, este
desejo não era somente meu. Ele também existia em outros colegas da sala de
aula e de outras turmas. Alguns comentavam que queriam prestar vestibular para Administração,
Pedagogia, enfermagem, etc. Outros queriam parar por ali mesmo, diziam que já
estava bom. Eu queria fazer história e com o intuito de ser historiadora prestei
vestibular em 2007.
Assim, antes de terminar o EJA em 2007 já
finalizando o último período, fiz a prova de primeira fase do vestibular. Apenas
eu e mais sete colegas conseguimos passar para a segunda fase. Foi uma festa na
escola, muitos abraços e parabenizações. Viria agora a segunda fase, a mais
difícil. Na primeira fase a maioria dos conteúdos da prova haviam sido
ministrados em sala de aula, portanto agora viria a específica, dissertativa
com a redação, mas eu estava bem preparada. A professora de redação nos havia
preparado um horário só para trabalhar essa matéria, tudo que eu necessitava saber.
A nossa
professora de história me emprestou alguns livros particulares dela, assim me
dediquei na específica. Porém, algo inesperado aconteceu. Um dia ao sair para o
trabalho me ocorreu um acidente, vindo a sofrer uma deslocação no braço
direito. Fiquei quinze dias com o braço imobilizado, e neste meio tempo aproveitei
para me dedicar mais nos conteúdos da prova específica e acabei me recuperando a
tempo da segunda fase.
Fizemos
uma ótima prova, mesmo não me saindo de forma excelente em todas as disciplinas
e tendo dificuldades em outras, dei continuidade nas áreas que mais dominava. Escolhi
este caminho para dar prosseguimento e por mais que seja difícil não há vitória
sem luta. Aprendi que todo aluno é capaz de vencer, que não é obrigado a saber
de tudo, mas sim, “observar e absorver” o que está a sua volta, pois experiência
é algo diferente de conhecimento, ter vontade e querer também faz parte das
nossas conquistas, alguns conseguem outros não, ser bom aluno faz toda diferença.
Portando, já em de sala aula alguns professores sempre falavam do meu esforço,
outros nada acrescentavam, mas era a minha vontade de vencer e minha determinação
que falava mais forte.
Porém, na segunda fase somente um
colega e eu conseguimos passar. Passei na segunda chamada na primeira da lista
dos convocados. Foi uma grande alegria, pois o curso de História da UEG, Cidade
de Goiás é o mais concorrido. Concluí o curso em 2011, mas a vitória maior
estava para vir, pois como já disse no início, minha monografia foi aprovada
com nota máxima e com direito a indicação para o mestrado.
Aceitei o convite para escrever este texto
para que ele sirva de incentivo para os concluintes do EJA, para que esses
alunos também possam prosseguir e olhar para frente e enxergar o futuro com a
visão de quem realmente acredita que pode concluir o ensino superior. Que como
o EJA existem outras iniciativas que atualmente vêm facilitando e oferecendo
oportunidades como: a educação a distância, o Prouni, o SAS, o ENEM, o FIES, e outros tantos meios, como o
financiamento de bolsas da OVG.
As políticas
Educacionais no Brasil têm crescido e vêm oferecendo oportunidades, porém na
maioria das vezes, poucos alunos concluem o Ensino Fundamental ou Médio, muitos
abandonam havendo um grande número de evasão escolar.
“À
medida que o conteúdo técnico dos mecanismos de reprodução de nossa sociedade
se torna mais complexo, reforça-se a marginalização de quem não tem acesso a
conhecimentos suficientes para dominá-lo” (In, DAWBOR: 6,1991).
(Iracy Garbim de Souza)

- Cara amiga, companheira, guerreira, batalhadeira, mãe, salve salve idolatrada minha rainha. De você eu não esperava mais sua persistência e para min um reflexo de grande exemplo. Ha ti dou meus parabéns.
ResponderExcluir