A humanidade está um tanto quanto confusa. Aquilo que sempre espelhou certezas se vê agora incerto por lacunas e buracos que ele mesmo criou. A ordem que tanto procurou nunca existiu realmente. O consequente desmantelamento de seus símbolos que se fragmentaram em múltiplos campos e questões se conserta e se reúne novamente no limiar do novo século. É o fim dos padrões que ainda tentam se conservar , a duras penas, mas que aos poucos se veem rodeados pela multiplicidade que se lhe apresenta.
A coexistência de vários pensamentos, credos, ritos, religiões de todo modo é um indicativo de que a multiplicidade é real. A tentativa incessante de criar denominações e grupos não resiste aos múltiplos que se fazem presentes trocando e traduzindo informações. Essa tendência positivista de rotular, separar, compartimentalizar os conhecimentos, os homens e mulheres, os territórios, as moedas, a moda se vê diante de um novo pensamento, por alguns chamado dadaísta, que mesmo sendo um "ismo" de "ista" nada tem.
Todos somos diversos enquanto somos. Não vemos por aí alguém que apenas gosta de futebol ou apenas gosta de video-games. Somos seres múltiplos que entendem sobre vários assuntos, interpretam, ao seu modo, o meio que os rodeia e assim como cada partícula que transpassa nossos corpos, ou não, todos os dias, estamos em um mesmo sistema, compartilhando experiências coincidentes. A diversidade se apresenta concomitantemente.
As divisões são apenas pensamentos incentivadores de disputas e até mesmo de guerras. Foi a partir da discriminação de grupos que tivemos centenas de guerras no decorrer da história da humanidade. A discriminação entre brancos e negros ocasionou o Apartheid. Essa visão compartimentalizada foi responsável por demasiadas mazelas que afligem nosso mundo. A fome, a miséria, a desnutrição, as doenças mortais, tudo isso poderia ter sido evitado se alguns homens não tivessem ousado repartir em territórios alguns outros povos de mesma espécie (humana) como se fossem os donos do mundo. Separaram não só as pessoas mas também suas ideias, suas virtudes, sua convivência social.
Hoje a ordem positivista se desfez. A evidência da pluralidade se faz presente. Isso se reflete em todas as crenças, desde de as científicas até a mais comum possível. É um período de mudança em todo o mundo. Mudança de pensamentos, de valores, de posturas perante a sociedade da qual se faz parte. Os novos movimentos que se ampliam cada vez mais pelo mundo são uma evidência da mudança paradigmática que acontece na contemporaneidade. Movimentos esses que não aceitam mais o estado de coisas como está. Veem a necessidade do fim das disputas e do começo de uma união entre os povos para que possamos prestar mais atenção no como estamos convivendo e no como nosso pequeno planeta azul está fragilizado e precisando que o pensamento não se limite a estabelecer divisórias mundiais mas que se concentre em questões relativamente mais importantes.
A união entre os povos, a comunhão e o respeito entre os iguais em suas diferenças, entre os diferentes e aquilo que os faz iguais, isso seria um bom começo para que todos possam, um dia, viver sem se preocupar com uma possível terceira grande guerra que, ao ver de todos, será possivelmente a última a que a humanidade resistirá ou num amanhã sombrio dividido por aqueles que deveriam ser o elo da unificação.
O futuro nos reserva grandes possibilidades e, até mesmo, soluções para muitas de nossas sempre novas dúvidas.
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