sexta-feira, 15 de junho de 2012

Manifesto Feminino

É com muita satisfação que a 4ª edição do jornal O Manifesto já está em circulação pela nossa cidade.
Nessa edição tivemos a participação na coluna do Manifesto Feminino, da nossa colega de faculdade Iracy Garbim de Souza, graduada em História pela UEG - Cidade de Goiás. Uma entre tantas outras mulheres que lutam pela sua carreira profissonal e se tornan um grande exemplo de determinação. Quem ainda não teve a oportunidade de confirir nosso jornal impresso, poderá ler esse texto por aqui!



EJA, a um passo para o superior

O conhecimento tem presença garantida em qualquer projeção que se faça do futuro. Por isso há um consenso de que o desenvolvimento de um país está condicionado à qualidade de sua educação. (GADOTTI, 2000).
           
  Ao ser convidada pelo colega de universidade para redigir um texto sobre a minha vida estudantil em especial sobre a conclusão da EJA, (Educação de Jovens e Adultos) fiquei muito feliz em poder transmitir minha experiência, para os alunos que atualmente estão concluindo este período da vida, e ao mesmo tempo poder  compartilhar  minhas vitórias que recentemente. foram alcançadas na universidade com o trabalho de conclusão do curso o TCC. Neste obtive  a nota máxima e com indicação para mestrado, sendo parabenizada pelo então prefeito da cidade que pesquisei em meu trabalho.
 Fiquei vinte e dois anos sem estudar e um dia resolvi voltar. Procurei o EJA para de imediato ganhar tempo pelo fato de estar por anos fora da sala de aula. Logo veio á pergunta: Será que esse ensino é bom? E o conteúdo? O aluno realmente aprende alguma coisa? Mas, eu enquanto aluna estava realmente interessada em adquirir o conhecimento que é oferecido.  Vi que o EJA é um supletivo que exige do aluno da mesma forma que outros ensinos regulares exigem, a diferença é que o ensino se volta para jovens e adultos, pessoas que passaram um tempo fora da escola, que trabalham o dia inteiro e não dispõe de tempo para estudar, o que não afeta as suas responsabilidades e interesses enquanto alunos.
Ficar fora da escola tanto tempo é de repente voltar é um ato de coragem, digo coragem por que estamos muito acomodados depois de anos sem estudar, somos os primeiros a colocar obstáculos em nossos caminhos. Então fiz a minha matrícula em um colégio da cidade que oferecia os seriados nos dois níveis, Ensino Fundamental e Ensino Médio da EJA no ano de 2006. Foram dois anos de estudos, divididos em quatro períodos simplificados. E mesmo ficando tanto tempo sem estudar, sempre alimentei o desejo em concluir o ensino superior, o que antes era quase impossível devido às condições financeiras e pela falta de Políticas Educacionais que incentivassem as condições de alcance para o Ensino Superior, diferente de hoje que existem variadas opções onde o aluno pode escolher.
No entanto, este desejo não era somente meu. Ele também existia em outros colegas da sala de aula e de outras turmas. Alguns comentavam que queriam prestar vestibular para Administração, Pedagogia, enfermagem, etc. Outros queriam parar por ali mesmo, diziam que já estava bom. Eu queria fazer história e com o intuito de ser historiadora prestei vestibular em 2007.
 Assim, antes de terminar o EJA em 2007 já finalizando o último período, fiz a prova de primeira fase do vestibular. Apenas eu e mais sete colegas conseguimos passar para a segunda fase. Foi uma festa na escola, muitos abraços e parabenizações. Viria agora a segunda fase, a mais difícil. Na primeira fase a maioria dos conteúdos da prova haviam sido ministrados em sala de aula, portanto agora viria a específica, dissertativa com a redação, mas eu estava bem preparada. A professora de redação nos havia preparado um horário só para trabalhar essa matéria, tudo que eu necessitava saber.
A nossa professora de história me emprestou alguns livros particulares dela, assim me dediquei na específica. Porém, algo inesperado aconteceu. Um dia ao sair para o trabalho me ocorreu um acidente, vindo a sofrer uma deslocação no braço direito. Fiquei quinze dias com o braço imobilizado, e neste meio tempo aproveitei para me dedicar mais nos conteúdos da prova específica e acabei me recuperando a tempo da segunda fase.
Fizemos uma ótima prova, mesmo não me saindo de forma excelente em todas as disciplinas e tendo dificuldades em outras, dei continuidade nas áreas que mais dominava. Escolhi este caminho para dar prosseguimento e por mais que seja difícil não há vitória sem luta. Aprendi que todo aluno é capaz de vencer, que não é obrigado a saber de tudo, mas sim, “observar e absorver” o que está a sua volta, pois experiência é algo diferente de conhecimento, ter vontade e querer também faz parte das nossas conquistas, alguns conseguem outros não, ser bom aluno faz toda diferença. Portando, já em de sala aula alguns professores sempre falavam do meu esforço, outros nada acrescentavam, mas era a minha vontade de vencer e minha determinação que falava mais forte.
                Porém, na segunda fase somente um colega e eu conseguimos passar. Passei na segunda chamada na primeira da lista dos convocados. Foi uma grande alegria, pois o curso de História da UEG, Cidade de Goiás é o mais concorrido. Concluí o curso em 2011, mas a vitória maior estava para vir, pois como já disse no início, minha monografia foi aprovada com nota máxima e com direito a indicação para o mestrado.
 Aceitei o convite para escrever este texto para que ele sirva de incentivo para os concluintes do EJA, para que esses alunos também possam prosseguir e olhar para frente e enxergar o futuro com a visão de quem realmente acredita que pode concluir o ensino superior. Que como o EJA existem outras iniciativas que atualmente vêm facilitando e oferecendo oportunidades como: a educação a distância, o Prouni, o SAS, o  ENEM, o FIES, e outros tantos meios, como o financiamento de bolsas da OVG.
As políticas Educacionais no Brasil têm crescido e vêm oferecendo oportunidades, porém na maioria das vezes, poucos alunos concluem o Ensino Fundamental ou Médio, muitos abandonam havendo um grande número de evasão escolar.
“À medida que o conteúdo técnico dos mecanismos de reprodução de nossa sociedade se torna mais complexo, reforça-se a marginalização de quem não tem acesso a conhecimentos suficientes para dominá-lo” (In, DAWBOR: 6,1991).

                                                                                                 (Iracy Garbim de Souza)

Um comentário:

  1. - Cara amiga, companheira, guerreira, batalhadeira, mãe, salve salve idolatrada minha rainha. De você eu não esperava mais sua persistência e para min um reflexo de grande exemplo. Ha ti dou meus parabéns.

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